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MANIFESTO ARTÍSTICO

Com a droppedImagelicença da sociedade da moral e dos bons costumes, da lei e das obrigações, do certo e do errado e do bem e do mal, da obediência e da fé, da humilhação e da má-fé, permitam-me alertá-los para o perigo que há na normalidade medíocre e na naturalidade mordaz. Pois se no decorrer desses milênios de “Moralidade de Costumes”, de ética e de leis vigentes, se durante esse tempo romperam perguntas novas e divergentes, ideias que levaram a um juízo de um valor diferente, atento amigos! Pois se há um santo que merece a luz das velas de agradecimento, esse santo é a demência. A Insensatez desvairada, a maluquice congênita.

É a Loucura que fornece a atmosfera que propicia ao aparecimento de novas ideias que delatam uma proibição infame, que quebram um costume estúpido, que revelam uma superstição envenenada. E que proibição não é infame? E qual costume não é estúpido? E que superstição não é envenenada?

Mas para o veneno existe o antídoto, e o antídoto meus caros, é a insanidade! Oh Mãe da poesia, estrela dos artistas, salvai os homens da normalidade e da mediocridade! Salvai os homens do juízo e da prudência!

Ai do medíocre que fornica com a arte, tornando a arte medíocre. Ai do normal que se expressa com arte, tornando a arte normal. Toda arte sem loucura é o que deveria ser imoral. Inutilidade pervertida, tradição obscena, intelectualidade depressiva.

Diga afinal quem pode, e quem não pode que nada diga:droppedImage_4

Qual é mesmo o sentido da vida?

Disse um gênio um dia, que essa acepção é a Arte: Música, cor, expressão e poesia. Luz, câmera, ação, fantasia e mentira. Se é que tem mesmo algum sentido a vida, e se é que é possível alguma coisa fazer algum sentido, este sentido está no exílio. No exílio da arte oral e no exílio da arte escrita. No exílio da arte abstrata e no exílio da arte infinita. A emancipação verdadeira da mentira. A compreensão indecente e tardia na embriaguez fatal da poesia. Música que atormenta a alma, pra que tanta polifonia? Que exagero é esse na Harmonia? Arte imoral!!! Arte Profana!!! Arte Inútil!!! Arte Vadia!

Eu por exemplo, segundo meu pai fui um homem direito. Para minha mãe sou o homem perfeito. Para os amigos sou um normal com defeito. Pro insensível sou um otário. Paro os alquimistas, eu sou “o artista”.

Na realidade sou como o vento! Sou um mero pensamento! Sou o nada perdido no tempo! Um contínuo viver de tormento!

Oh “eu” da alquimia! Oh “eu” da melancolia! Oh “eu” da revelia! Quem é afinal esse ser invisível? Quem é esse ser que possui sendo possuído? Quem é esse que só ocupa a menor metade de um sentido? Esse “eu” enigmático que a todo instante “eu” me refiro? Será tal “eu” misterioso pertencente ao finito? Ou será dito “eu” realmente o “eu” do mágico abstrato do infinito? Será o “eu” cabível ao ingênuo espetáculo dos espectadores do físico, ou será o “eu” de propriedade do autor metafísico; que aproveitando o ensejo, deixa novamente esse fato registrado num texto.

droppedImage_2Busco então a paz, vestindo um personagem mágico. Assim, me permito seguir de modo mais cômico o enredo que antes se desenrolava trágico. Meu lado fêmeo se impõe, e domina meu lado macho. Pobre Dionísio sedento, sempre buscando e sonhando. Sofrendo desesperado, não pensa em mais nada na vida, só deseja perseguir constantemente o Phallus.

Quero encontrar a paz da existência! Quero vivenciar ao máximo minha essência!

E a língua, consciente, sabe que sua essência é pertencente ao mágico. Não rouba pra si o existir da inocência, e sabe que é só um pedacinho insignificante da universal consciência, que por sua vez, guarda sua essência na manifestação da existência.

Assim diz a voz de plena ciência:

Por mais alto que brade seu “eu”, jamais deixará a língua, de ser uma confusa sentença!

É entre todas as línguas a língua mais perfeita, aquela que só fala quando é chamada, e nunca em tom de desfeita. Sincera, prefere a mentira autentica. Honesta, sempre busca a realidade sem se iludir com a verdade embusteira.

Oh língua do mágico! Oh língua felina! Oh Língua de Dionísio, oh língua de Maria! Língua que não perdoa, língua que não sentencia! Língua que de ser língua tem mais do que sã consciência! Língua da sabedoria! Língua da loucura, e da demência! Língua da pureza, e da inocência! Da poesia e da carência!

Salve a arte e a mentira! Salve o palco da vida! Lugar impossível pra mostrar com sentido o inevitável metafísico! Que a cortina se abra para os atores, cenários e figurinos. Quero ouvir agora e sempre os infindáveis conflitos infinitos. Alados perdidos, como são silenciosos seus gritos!

vidalivreVou mostrar-te o teu sofrimento. As entranhas do teu esquecimento. Revelarei teu eterno tormento.

Tu não se liberta sozinho, mas somente em comunhão. A sabedoria só funciona se usada em união.

Entretenimento: Amante bandido! Galante latino! Perigo lascivo!

Ciúme, carência, ódio, ansiedade, desprezo etc. Tudo isso é pura falta de atenção. Ainda buscando a sonhada emancipação? Estas Padecendo do mal da razão. Um dia quando tua cura chegar e recuperar sua sabedoria serás novamente irracional. Então não terás que ser mais o mesmo personagem na eterna comédia, e não serás também mero espectador. Serás tu, a própria comédia. Só então poderás experimentar a alegria de ser o que é. Só então se regozijará por completo.

Seria possível raciocinar o que leva o ator ao ato? É realmente a razão capaz de explicar o teatro? É cabível se tentar formular o calor do espetáculo? Qual equação que descreve o buscar do estrelato? Sabe se lá o que é escrever um texto e estar desempregado? Quem se atreve em declamar com letras o mistério que há nas tetas? Como se narraria a dor nos pés da bailarina? Será que alguém poderia desvendar sem versos e sem poesia, contando apenas com a sua prosa fria e sua língua fina, o que é que passa na gente quando se abre a cortina? E há ainda quem diga que a razão pode explicar a vida!!!

droppedImage_3Se palavras não servem nem pra descrever um cheiro, que palavra poderá realmente apaziguar um anseio! Se as palavras não podem comentar um olfato não deveriam se atrever em descrever um fato! E já que os nervos não são de aço e essa conversa ta perdendo o compasso, é melhor que deixemos por hora esse papo de língua de lado, pois já dizia o sábio que se um assunto não pode ser falado, esse assunto deve ser calado.

Jobert Michel Gaigher

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www.jobert.info


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