Após algum tempo sem escrever nesta série, volto ao tema para falar um pouco do fonógrafo e de outros equipamentos pioneiros na captação e reprodução do som.
Em Julho de 1877, Thomas Edison patenteou o primeiro aparelho que registrava e tocava o som gravado:
O fonógrafo
Foi logo batizada de “A Máquina Falante” pois inicialmente o aparato era usado para gravar voz humana e não música.
Fotografias de ondas
Antes do fonógrafo, alguns instrumentos científicos já haviam sido utilizados na captação de ondas sonoras, sem no entanto dispor da capacidade de reproduzi-las novamente.
Em outras palavras, essas máquinas podiam registrar o som graficamente, (fotografias das ondas sonoras), mas não possuíam a capacidade de converter esses registros em ondas sonoras novamente.
O mais famoso deles foi o fonoautógrafo, considerado o primeiro aparato capaz de registrar sons em cilindros de papel, madeira ou vidro.
O princípio de gravação do fonoautógrafo de Léon Scott era semelhante ao fonógrafo de Thomas Edison.
Paléophone
Thomas Edison apresentou o Fonógrafo no dia 18 e Agosto de 1877, porém, meses antes, em Abril do mesmo ano, Charles Cros, na França, havia apresentado o “Paléophone”.
Ambos os aparelhos eram muito semelhantes, constituídos principalmente por um cilindro que se fazia rodar enquanto um estilete gravava o som numa folha de estanho, mas no final a paternidade da primeira gravação sonora acabou sendo atribuída a Edison. Esta não é a única polêmica com patentes envolvendo Thomas Edison.
Fonógrafo
O fonógrafo era em realidade um gravador de ondas. Edison sabia que o som se propagava por meio de ondas, e imaginou um aparato capaz de captar as vibrações sonoras e convertê-las em movimentos mecânicos.
O aparelho consistia de um cilindro com sulcos, coberto por uma folha de estanho, acoplado a um grande bocal em forma de cone.
Uma espécie de estilete de ponta aguda era pressionado contra o cilindro de um lado, e à ponta oposta, ficava um diafragma, uma membrana circular extremamente sensível a vibrações, capazes de converter sons em impulsos mecânicos e vice-versa.
Gravadores análogos mecânicos
O cilindro era girado manualmente, e conforme o operador ia falando no bocal, a voz fazia o diafragma vibrar, que por sua vez fazia o estilete criar um sulco análogo às ondas vibratórias da voz do operador, na superfície do cilindro.
Quando a gravação estava completa, a ponta era substituída por uma agulha e a máquina desta vez reproduzia as palavras quando o cilindro era girado novamente.
Logo o cilindro foi substituído por discos e apesar de ter sido desenvolvido por Edison para o registro da voz falada, o fonógrafo foi rapidamente adotado como meio para registro musical, abrindo uma nova possibilidade para o registro da música.

Gramophone
Em 1887 o alemão Emile Berliner conseguiu substituir o cilindro do aparelho de Edison por um disco recoberto por zinco, recebendo a patente do modelo que chamou de gramofone.
Apesar da substituição do cilindro por discos, o disco continuava sendo girado manualmente com a ajuda de uma manivela, provocando alterações na velocidade e distorções tonais no som reproduzido.
Na reprodução de um registro fonográfico, é vital que a velocidade de giro do cilindro ou disco onde estão registrados os sulcos, seja exatamente igual à velocidade que o mesmo girava no momento da captação.
Emile Berliner, introduziu uma melhoria que foi decisiva: um motor a corda desenhado por Eldridge R. Johnson permitiu uma rotação do disco a uma velocidade constante e sem qualquer esforço.
Nomeou sua nova máquina como “Modelo B“, e assim nasceu a indústria da música.
78RPM
(RPM – Rotações Por Minuto)
Se os discos girassem a 100 rpm, teria resultado em um som de melhor qualidade, mas reduziria o tempo de reprodução para menos de 2 minutos. Se diminuísse a velocidade para 40 bpms, ganharia em tempo de armazenamento, mas a qualidade do som seria muito ruim.
Berliner escolheu a velocidade de 78 rpm para para conseguir uma qualidade de som razoável e um tempo de execução aceitável.
Com a introdução de motores movidos a corrente elétrica,
a velocidade síncrona de 78 rpm tornou-se um padrão.
O cão de Barraud
Berliner Gramophone Company, fundada para comercializar a sua invenção, comprou os direitos de reprodução de uma pintura do artista Francis Barraud, em que um cão se aproxima com curiosidade do fonógrafo de Edison.
No início, a pintura de Barraud mostrava o cão ouvindo o fonógrafo de cilindros, mas Edison se recusou a comprar os direitos da obra.
Um gerente de uma loja de fonógrafos de Londres, revendedora da “The Gramophone Company”, incentivou Barraud a substituir o fonógrafo de Edison pelo Gramofone e procurar a empresa de Berliner.

O cão de Barraud permaneceu como o ícone do Gramophone Company por quase um século, contribuindo para a popularização da invenção de Berliner.
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